sábado, 26 de março de 2016

Ilustração Científica

A ilustração científica por meio de desenhos e ilustrações representa um ramo da biologia que explora, de forma minuciosa, os ambientes naturais e os espécimes da flora e da fauna. A sua característica principal é a fidelidade e exatidão dos traços em suas cores, formas e textura, o que garante o reconhecimento e identificação a serviço das ciências. 
As ilustrações são muito utilizadas, normalmente, em teses e artigos voltados para a área ambiental. Podem ser muito comuns em livros guia ou didáticos de espécies, tanto na botânica quanto na fauna, onde o autor opta pela ilustração ao invés de utilizar fotos.


                                         
                                            Ilustração: Fernando Capela
                                            papa-taoca-do-sul (Pyriglena leucoptera)
                                            Técnica: Lápis de cor aquarelável


Exitem várias técnicas e materiais a serem utilizados os quais necessitam de um rigor técnico, detalhamento profundo e conhecimento científico do objeto a ser desenhado. Geralmente esses ilustradores são biólogos, artistas plásticos ou grandes apreciadores da natureza, o que facilita o conhecimento das estruturas do objeto, de cada parte do corpo animal ou vegetal. Para essas pessoas, capacitadas para tal tipo de ilustração e/ou desenho, sua forma de observação é diferenciada.
É uma atividade carregada de emoção e sensibilidade, já que esses aspectos são visivelmente observados nas obras. Além disso, ganha muitas vezes um caráter artístico e estético, sem interferir, é claro, no seu fundamento científico.

                             
                                 Ilustração Fernando Capela, reprodução foto de Edson Endrigo.
                                 suruacuá-de-barriga-amarela (Trogon rufus)
                                 Técnica: lápis de cor aquarelável e giz pastel seco


A ilustração científica foi muito difundida aqui no Brasil por naturalistas europeus nos séculos XVII, XVIII e XIV. Para retratar seus trabalhos e compilar informações esses utilizaram de várias técnicas de ilustração, das mais diversas pinturas, feitas principalmente a óleo. Muitas dessas obras podem ser registradas no instituto Itaú Cultural localizado na Avenida Paulista, São Paulo - SP. 

quinta-feira, 10 de março de 2016

Pedralva no Terra da Gente

Em 2009, a Cemig, Companhia Energética de Minas Gerais S.A. decidiu implantar uma linha de transmissão passando pela Serra do Barreiro, cruzando a Serra da Pedra Branca. O Barreiro é uma serra paralela a Serra da Pedra Branca constituída de um grande fragmento de mata atlântica no município detentora de grande biodiversidade. Na época, com a ong Grupo Excursionista Pedra Branca, decidimos criar um laudo técnico da biodiversidade local para barrarmos as pretensões da Cemig. 
O que nos chamou a atenção foi o aparecimento do sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), espécie endêmica da região Sudeste em vias de extinção, categoria vulnerável (VU) pela lista de espécies ameaçadas pelo COPAM (Conselho Estadual de Política Ambiental) e pela IUCN red list. É bem verdade, a espécie é muito comum na região, abrangendo poucas cidades, já que a invasão do sagui-de-tufos-pretos (Callithrix penicillata) pode ser a principal causa da ausência desse sagui em grande parte do Sudeste.
Lembro-me que esse sagui nos chamou mais a atenção foi pela sua peculiaridade, um tanto diferente dos outros membros da família o que logo me veio a cabeça entrar em contato com o Terra da Gente, um programa semanal, do grupo EPTV, afiliada da rede Globo.
Mandei um e-mail para o programa um tanto despretensioso, achando que não teria um retorno satisfatório.  Descrevi o sagui e sua particularidade por aqui. Tempos depois recebo uma resposta do produtor do programa me escrevendo: "me fale sobre o macaco." Logo após, o Terra da Gente pisava em Pedralva, em setembro de 2015, encabeçado pelo repórter Eduardo Lacerda para ver o sagui e retratar a biodiversidade da região, especialmente a Serra da Pedra Branca.






Pouco se sabe sobre a biologia desse primata. Ainda pouco descrita pela literatura, não sabemos ao certo o grau de interferência de suas populações. O fato é que a espécie perdura na região e pode ser observada em qualquer fragmento de mata.  


                                Foto: Devanir Gino

saguí-da-serra-escuro (Callithrix aurita).



Um dado interessante abordado na reportagem foi essa pererequinha de inverno. Pouco descrita pela ciência e provável residente da região de Poços de Caldas - MG, a espécie se limita numa localidade da Serra da Pedra Branca se estabelecendo em uma área de apenas 50 m².


                                          

Scinax sp.


A degradação ambiental, ostensiva pelo homem nas últimas décadas fez com que áreas florestais milenares deixassem de existir. Essas áreas, designadas matas primárias, são consolidadas como raras e altamente biodiversas, especialmente pelo histórico local, ou seja, foram centenas de anos de acúmulo de matéria orgânica, ciclagem de nutrientes e fluxo de energia. 
A Serra do Barreiro possui uma pequena área em que é possível detectar uma mata primária. Árvores enormes, com pouca vegetação no solo e grande quantidade de palmito-juçara (Euterpe edulis), espécie ameaçada dependente de áreas úmidas e sombreadas.


                                           


jequitibá (Cariniana sp.).

terça-feira, 8 de março de 2016

Serra da Pedra Branca e locais para Observação de Aves


Pedralva está localizada no Sul de Minas Gerais, no maciço da Serra da Mantiqueira (22º 14’ 34.53” S; 45º 27’ 56.05”). A área total do município é de 217,989 Km², sendo que desses são 3 Km² de área urbana. Pedralva apresenta clima mesotérmico (tropical de altitude), com temperatura média de 19ºC. Possui topografia do tipo montanhosa e o bioma que predomina é o da Mata Atlântica. As florestas são do tipo estacional semi-decídua e ombrófila mista (associação com araucárias), ocorrendo também campos de altitude e áreas alagadas.  


                                          

 Cidade de Pedralva com vista para a pedra do Pedrão.



    IBGE, 2015

 Localização do município de Pedralva no sul de Minas Gerais.


  

Serra da Pedra Branca

A Serra da Pedra Branca é um maciço montanhoso, parte interior da Serra da Mantiqueira, compreendendo três municípios, Pedralva Conceição das Pedras e Cristina. É o maior fragmento de mata atlântica do município destacando-se a floresta estacional semi-decídua. Sua altitude chega aos 1.849 metros predominando em seu cume uma vegetação mais rasteira, o qual podemos denominar campos de altitude. 

                                 
                                          
                                              Vista da Serra da Pedra Branca, face sul, Pedralva - MG.


                                                                         

     Paisagem campo de altitude, cume da Pedra Branca. Vegetação propícia para beija-flores, o qual indicado abaixo.


                                         
                                                    beija-flor-de-papo-branco (Leucochloris albicollis).




Locais Preteridos para a prática de observação de aves



    Google Earth, 2015.

 Localização Sítio Nossa Srª da Paz e Ecovila São Francisco na Serra da Pedra Branca.



A Ecovila São Francisco, situa-se no bairro Pedra Batista (22º 11’ 12.55” S; 45º 22’ 41.77”), localizada no pé da Serra da Pedra Branca. O local apresenta algumas áreas abertas ocupadas por pastagens de criação bovina e fragmentos de mata em vários locais, os quais acompanham um riacho proveniente das grotas que insurgem desta face da Serra da Pedra Branca.   

                              Foto: Ana Bustamante

 Sede Ecovila São Francisco.


                                        Foto: Ana Bustamante

 Vista Serra da Pedra Branca Ecovila São Francisco.


      Fotos: Fernando Capela

 Da esquerda pra direita saí-andorinha (Tersina viridis); saracura-do-mato (Aramides saracura).


O Sítio Nossa Srª da Paz (22º 11’ 09.89” S; 45º 22’ 41.77” O) localize-se também na face sul da Serra da Pedra Branca numa altitude de 1.307 metros, em meio a áreas abertas com pastagens e grandes porções de fragmentos distintos, entre eles a crista da Serra, mata estacional semi-decidual e matas em estágios avançados de regeneração, além de contar com uma porção de ombrófila mista (associação com araucárias). A localização permite fazer observações em sua via de acesso.


                                          
 Vista da crista da Serra da Pedra Branca.



                                          
 Sede do sítio em meio a Serra da Pedra Branca.


                                           
 Via de acesso ao sítio apta para observação de aves.



                                
 maria-preta-de-garganta-vermelha (Knipolegus nigerrimus).


Face Norte da Serra da Pedra Branca, Conceição das Pedras - MG.


A face norte da Serra da Pedra Branca, acesso pela rodovia MG-458, Pedralva/Conceição das Pedras, caracteriza-se pela maior quantidade de matas, em destaque para a araucária (Araucaria angustifolia). A vegetação é mais seca, predominantemente serrana, diferenciando o clima, flora e fauna em relação a face sul. 

A Cabana do Jacu (22º 09' 36.65" S; 45º 22' 47.24" O) é um ponto estratégico para observações de aves, pois esta se encontra encravada em meio ao fragmento contínuo de mata localizada no pé da serra em suas partes mais rochosas. O local possui acessos e/ou vias para as propriedades locais, os quais se entrelaçam no interior das matas. Tal fato facilita a prática de observação de aves nas vias, geralmente planas e margeadas pela mata. 


                                          
 Face norte da Serra da Pedra Branca, Conceição das Pedras - MG.

                                           

 Cabana do Jacu.


                                           
 Vias de acesso aptas para observação.


       Google Earth, 2015

 Localização Cabana do Jacu, Conceição das Pedras - MG.



Observação pela trilha de acesso a pedra


A trilha de acesso ao cume da pedra ou a crista guarda surpresas e uma caminhada excelente pela vegetação serrana em estado médio e avançado de regeneração em alguns pontos mais baixos, já que parte desta vegetação era pasto. Ótima oportunidade para observar aves como a tesoura-cinzenta (Muscipipra vetula), choquinha-de-dorso-vermelho (Drymophila ochropyga) e sanhaço-frade (Stephanophorus diadematus).

                                          
 Início da trilha rumo as partes mais altas.


                                          
 Vista da pedra da Geni.